
Fernando Reges concedeu uma extensa entrevista à edição deste sábado do jornal O Jogo, uma semana depois de ter colocado um ponto final na carreira, aos 38 anos de idade, na qual fez um balanço amplamente positivo dos seis anos passados ao serviço do FC Porto, entre 2008 e 2014, durante os quais somou seis golos e outras tantas assistências ao cabo de 236 jogos oficiais.
Foi o clube onde mais tempo joguei, maior estabilidade tive e foi a minha porta de entrada na Europa. Ensinaram-me muitas coisas, a mentalidade vencedora, o nunca desistir, independentemente das vitórias estar sempre preparado para o jogo seguinte. Não deixas que nada subisse à cabeça”, começou por afirmar.
Esse foi o ADN que me deu o FC Porto, fez-me crescer como pessoa e jogador, saí muito novo para Portugal, do interior do Brasil. Tinha poucos recursos, pouca formação futebolística, aprendi a ser muito organizado e cuidar do meu futuro”, acrescentou o brasileiro, que, de dragão ao peito, conquistou quatrotítulos de campeão nacional, três Taças de Portugal, cinco Supertaças Cândido de Oliveira e uma Liga Europa.
Na altura, recordou, não faltaram convites para dar o ‘salto’, especialmente, para Itália, onde se praticava um futebol que o agradava particularmente. Acabaria por ser vendido ao Manchester City, no verão de 2014, a troco de uma verba na ordem dos 15 milhões de euros, mas rejeitou qualquer tipo de mágoa com a direção então liderada por Jorge Nuno Pinto da Costa.
Existiram muitas propostas, sempre pensei que ia parar a Itália, porque existiram ofertas de quase todos os clubes. Até ao fim, tinha ideia que o meu futuro ia passar pela Juventus, mas no último momento decidimos acertar pelo City. Queria a Premier League. Ponderei muito ir para Itália, via muito o AC Milan de Cafú, Kaká e Dida”, confessou.
Tive ofertas todos os anos, era muito procurado mas o FC Porto entendia que eu era muito importante e não era um jogador tão caro. Comigo, tinham a garantia de que eu sempre ia lutar em campo, era muito profissional e não mudava a minha forma de ser. Tinha contrato e sempre fui feliz, entrava feliz em campo”, completou.
O agora ex-médio virou, de seguida, baterias para a “rivalidade muito grande” vivida com o Benfica, durante esse período: “Tinha grandes equipas, jogava bem, mas o FC Porto, naqueles anos, foi quase sempre mais forte, tinha uma identidade marcada, sabia o que queria em cada frente e tinha os melhores jogadores
Sabíamos que era tudo diferente antes dos jogos, tínhamos de ganhar de qualquer maneira. No meu primeiro ano com Jesualdo [Ferreira] foi assim, no segundo tivemos o problema do túnel da Luz e sofremos bastante. No ano seguinte, vem o [André] Villas-Boas e conseguiu relembrar-nos sempre o que havíamos vivido um ano antes, que não tinha sido justo. Apareceu a Supertaça e fomos para o jogo
querendo destruir o Benfica. Veio a vitória por 2-0 e veio toda a sequência sobre eles nessa temporada. Era para dar tudo e para ganhar! Mesmo quando fomos derrotados em casa, conseguimos ir à Luz virar essa eliminatória da Taça. Foi o ano perfeito”, atirou.
Já sobre a festa de campeão nacional, em pleno Estádio da Luz, a 3 de abril de 2011, Fernando lembrou: “Isso foi indescritível, nós éramos muito fortes, estávamos preparados dentro do campo, mas também fora, o lado mental era fortíssimo. Tínhamos jantares, falávamos muito de futebol e do que tínhamos de melhorar, mesmo quando vínhamos ganhando sempre”.
Foi uma equipa que se uniu muito bem, Villas-Boas soube perceber o grupo e dar umas folgas. A equipa, treinando menos, ia para o campo e fazia jogos incríveis. Foi espetacular festejar esse título na Luz. Tudo pareceu programado e não foi e a maior festa foi aquele apagão. Loucura no campo às escuras, no balneário e no autocarro na volta ao Porto. Foi divertido, concluiu.






