Tiro o chapéu a Ruben Amorim. Ouvir tamanha honestidade…”

Ojogo entre Juventus e AC Milan (1-1), do último domingo, continua a dar que falar, havendo quem elogie Luciano Spalletti e Ruben Amorim pelo… pós-jogo. Se dentro das quatro linhas a partida ficou longe de entusiasmar, os discursos dos dois treinadores está a ser alvo de elogios em Itália. É o caso de Riccardo Trevisani, jornalista italiano, que afirmou mesmo tirar o chapéu a Spalletti e Amorim.
Juventus-Milan foi um jogo em que o Milan, que fez uma excelente exibição defensiva, mas esqueceu-se de atacar. A Juventus tentou fazê-lo, dentro das limitações evidentes que tem neste momento, às quais hoje se juntou Locatelli, e numa altura em que estão de fora McKennie, Thuram e Yildiz. Faltam jogadores de peso à Juventus e, ainda assim, está ali, com sete pontos e apenas um golo sofrido. O ambiente que existe em torno da Juventus faz-me sorrir: parece que está tudo mal e, no entanto, a equipa está ali. No Milan, há pelo menos a sensação de que querem deixar Amorim trabalhar e de que ele teve um determinado impacto na equipa”, começou por dizer Riccardo Trevisani, no Cronache di Spogliatoio, citado pelo MilanNews.
“Dito isto, gostei muito do pós-jogo. Ouvir Spalletti dizer, num lance em que muitos treinadores teriam criado uma enorme polémica, que: ‘Para mim, o golo é válido, não há qualquer falta sobre Kolo Muani’, leva-me a tirar-lhe o chapéu. E tiro-o ainda mais a Amorim, que repetiu por cinco vezes que não merecia ter ganho o jogo ou que a Juventus não merecia tê-lo perdido. Num futebol feito de polémicas, veneno, ódios, conferências de imprensa e treinadores que se atacam uns aos outros, ouvir tamanha honestidade de ambos os lados, por parte dos dois treinadores, deu-me muito prazer”, frisou.
“Amorim estava chateado porque sofreu o golo aos 90 minutos e devia estar com nove pontos, no topo da classificação, mas conseguiu manter uma lucidez, uma seriedade e uma sinceridade admiráveis. Spalletti estava genuinamente insatisfeito porque, com 1,7 de expected goals contra zero, pensamos que podemos ganhar o jogo; acabou por garantir o empate aos 90 minutos, num golpe de génio, ao colocar Gatti como ponta de lança”, acrescentou.
Na prática, para Trevisani, os discursos de Spalletti e Amorim foram a “terceira” e a melhor parte do duelo entre Juventus e AC Milan. O jornalista deixa, ainda, um pedido aos responsáveis dos dois clubes: que haja tempo para os treinadores trabalharem.
“Gostei muito do terceiro tempo; nos dois primeiros há trabalho a fazer. Voltemos, porém, ao ponto de que Amorim chegou há seis semanas e Spalletti há nove meses: deixem-nos trabalhar aos dois”, rematou Riccardo Trevisani.
Recorde-se que o AC Milan, de Amorim, tropeçou em Turim depois de ter vencido nas primeiras duas rondas da Serie A, centrando agora as baterias para a visita a Lazio, que acontece já no sábado. Dentro de uma semana, na quarta-feira, dia 16 de setembro, será a vez de os rossoneri receberem o Benfica, em jogo da 1.ª jornada da fase de liga da Liga Europa.






