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Paulo Lopo quebra o silêncio sobre escândalo na arbitragem: “Sou sério”

O antigo presidente do Estrela da Amadora rejeita acusações da PJ e nega esquemas com a arbitragem.

O futebol português volta a estar no centro de uma forte tempestade mediática e judicial, com novas revelações a agitarem os bastidores da arbitragem nacional. Em entrevista concedida ao jornal A Bola, Paulo Lopo, antigo presidente do Estrela da Amadora, quebrou o silêncio sobre a investigação em curso conduzida pela Polícia Judiciária (PJ), na qual surge associado a um alegado esquema de influência na nomeação de juízes para partidas decisivas.

​As suspeitas, tornadas públicas pela imprensa, apontavam para uma alegada concertação de interesses entre o ex-dirigente tricolor e Luciano Gonçalves, presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), com o objetivo de influenciar nomeações para jogos do Estrela e de rivais diretos na luta pela permanência. Confrontado com estas acusações, Paulo Lopo foi perentório ao afastar qualquer conduta ilícita ou favorecimento ao longo do seu mandato.

​”Estou completamente de consciência tranquila. Nunca fui chamado a prestar declarações sobre este assunto, nem à Polícia Judiciária, nem ao Ministério Público, nem à Federação Portuguesa de Futebol. Nunca fui ouvido. E o Estrela da Amadora também está completamente fora desta polémica. Acho que é uma não-polémica”, começou por afirmar o ex-presidente.

​Relativamente à proximidade com a estrutura do Conselho de Arbitragem, Paulo Lopo fez questão de esclarecer os contornos da relação institucional mantida durante a sua liderança no clube da Amadora, desmentindo categoricamente a existência de laços pessoais ou de pedidos de favores dirigidos à estrutura encarregue do setor da arbitragem.

​”Nego categoricamente! Acho que essa narrativa não faz o mínimo sentido. Tenho uma relação com o Conselho de Arbitragem igual à que tinha com o anterior. Tal como todos os outros presidentes têm. É uma relação institucional. Eu não posso dizer que sou amigo de Luciano Gonçalves porque ele nunca foi a minha casa, eu nunca fui a casa dele, não conheço a mulher dele e ele não conhece a minha”, explicou.

​O ex-dirigente sublinhou ainda que todos os encontros mantidos com os responsáveis da arbitragem decorreram dentro da normalidade e na presença de outras testemunhas do meio futebolístico, reiterando a sua postura de respeito e defesa contínua do trabalho dos juízes no relvado.

​”Nunca tive uma reunião com Luciano Gonçalves a pedir-lhe o que quer que fosse. Curiosamente, tive duas reuniões com Luciano Gonçalves na presença do Duarte Gomes. Eu sempre fui um defensor dos árbitros. Aliás, o próprio Duarte Gomes fez-me um grande elogio относительно a isso. Considero que os erros dos árbitros são normais”, frisou.

​Sobre a dinâmica mantida entre os clubes da Liga e os organismos que gerem a competição, Paulo Lopo desdramatizou a existência de contactos informais, assegurando que o diálogo entre dirigentes e as instâncias de arbitragem é uma prática comum a quase todas as sociedades desportivas.

​”Tal como já acontecia com o Conselho de Arbitragem anterior, diziam que as coisas iam mudar, que iam tentar escolher árbitros com mais experiência, internacionais, e garantiam que os jogos iam correr bem e para continuarmos a confiar no sistema porque é um sistema sério. Eu até acho curioso falarem do Estrela da Amadora porque diria que houve mais de 60 reuniões de dirigentes de clubes com o Conselho de Arbitragem. É um procedimento normal”, salientou.

​Interrogado sobre se teria levado eventuais protestos ou preocupações ao topo da Federação Portuguesa de Futebol, o antigo líder tricolor garantiu que nunca usou a sua influência junto de Pedro Proença para intervir em matérias de arbitragem.

​”Francamente, não. Falo com ele sobre outros temas do futebol português. Não tenho por hábito queixar-me a Pedro Proença. Existindo um Conselho de Arbitragem, manifesto-me ao próprio Conselho de Arbitragem e não a outros. E foi sempre aquilo que fiz”, assegurou.

​Para finalizar, Paulo Lopo enquadrou a polémica numa tentativa de instrumentalização política dentro do próprio futebol português, optando por remeter esclarecimentos adicionais para as instâncias próprias e confiando na justiça para limpar o seu nome.

​”Eu acho que é um efeito colateral de outro tipo de guerras que não têm nada a ver com isso. O processo está em segredo de justiça e eu gosto muito de respeitar a verdade das coisas. Não gosto de julgamentos na praça pública. Se algum dia tiver de pronunciar-me sobre este processo, fá-lo-ei em sede própria também. O Paulo Lopo é uma pessoa séria. Já o era antes de vir para o futebol e vai continuar a ser sério e leal”, concluiu.

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