Varandas veio mostrar que Rui Borges é um treinador a prazo no Sporting

Frederico Varandas saiu esta segunda-feira em defesa do seu treinador Rui Borges, mas acabou por pontuar mais alguns temas antes do início da gala da Federação Portuguesa de Futebol.
Em conversa exclusiva com o Desporto ao Minuto, Rui Barreiro, antigo conselheiro do Sporting, deu o seu parecer sobre a intervenção do presidente leonino sobre o momento da equipa, não esquecendo também o ‘balança, mas não cai’ de Rui Borges.
“Relativamente a Rui Borges, acho que é uma matéria que não foi assumida e que devia ter sido pelo presidente. Ou seja, Frederico Varandas tem muitas responsabilidades naquilo que está a acontecer, porque a revolução efetuada no plantel foi feita, principalmente, pela direção do Sporting e pelo seu presidente, pelo que assumir responsabilidades era importante”, começou por delinear.
“Mas julgo que podemos dizer, tal como na época passada onde fizemos um mercado de inverno miserável e perdemos uma oportunidade clara de reforçar a equipa para lutar a sério pelo tricampeonato, que a responsabilidade, mais do que do treinador, é da direção do Sporting”, recordou.
No entanto, Rui Barreiro retira outras ilações da forma como Frederico Varandas tentou defender Rui Borges, já que acredita que o presidente leonino acaba de demonstrar que o transmontano é “um treinador a prazo” para o Sporting.
“Era obrigatório, de alguma forma, o presidente do Sporting e da SAD dizer alguma coisa sobre a ligação do treinador e a sua responsabilidade conjunta. Mas retira-se das suas declarações que Rui Borges acaba por ser um treinador a prazo. Isto porque Frederico Varandas diz que não vai demitir um treinador ao fim de três empates e de sete jornadas. Então será ao fim de quê? Oito, nove, 10 jornadas? Ou é mesmo o treinador do projeto independentemente daquilo que vier a acontecer?“, questionou o sportinguista.
Posto isto, o ex-conselheiro não esconde que a contestação é habitual e está no direito dos adeptos do clube de Alvalade, que têm a temporada passada bem em conta na sua memória recente.
“Há sempre direito a contestar. É legítimo fazê-lo, depois de uma época em que, para além de termos chegado mais longe na Liga dos Campeões, não ganhámos nenhum troféu e perdemos um na final da Taça de Portugal de uma forma completamente inaceitável”, referiu.
“No entanto, a melhor resposta para toda esta contestação são as vitórias. E é isso que a equipa técnica tem que fazer e quem dirige o Sporting tem que se preocupar. Não basta haver bons resultados financeiros e não haver resultados desportivos. É preciso fazer mais”, admitiu.
Rui Borges seguro (por agora). E no futuro?
O facto de Frederico Varandas ter garantido que não houve qualquer tipo de reunião para discutir o futuro de Rui Borges como treinador do Sporting deixou algumas pontas soltas, principalmente pela forma como esta mensagem foi transmitida, tal como Rui Barreiro analisou.
“Eu acho que a direção já está a ponderar uma substituição de Rui Borges. Esta intervenção de Frederico Varandas acaba por dizer que o treinador fica e que não é por três empates à sétima jornada que o vamos demitir. O que dá a entender é que, se as coisas se agravarem, o presidente e a SAD do Sporting vão equacionar essa mudança“, explicou.
A não ser que este seja considerado o ano zero desta revolução, mas isso era bom que se fosse dito aos sócios, porque se assim for, pode ser que consigamos perceber algumas coisas, como o caso do Rafael Nel, que se eclipsou após uma pré-época espetacular”, frisou.
No que a ‘atirar culpas’ diz respeito, Rui Barreiro prefere falar em responsáveis e não culpados, ainda que a base dos problemas esteja, segundo o próprio, nas decisões tomadas por Frederico Varandas.
“A pessoa que tem mais responsabilidade no Sporting é o presidente. Nós podemos criticar e contestar o treinador, fazer até como o presidente fez, que criticou os jogadores – não me parece que publicamente se devam criticar os jogadores. Ainda assim, todos terão as suas responsabilidades e os resultados do seu trabalho não estão a ser os satisfatórios para um clube com a dimensão e ambições do Sporting”, disse o antigo conselheiro dos leões.
“Tendo em conta os resultados que estamos a ter no futebol, interessa tomar decisões para melhorar o rumo daquilo que tem acontecido. Interessa que os sócios saibam também qual é o projeto do Sporting, é da mais elementar exigência no que respeita à gestão de um clube como o Sporting, pelo que responsabilidades, mais do que culpas, começam no presidente“, concluiu.






