Noticia

Advogado de JJ visa CR7: “A 29 de setembro, vi que ia arranjar incidente”

Portugal

Luís Miguel Henriques, advogado de Jorge Jesus, marcou, esta quinta-feira, presença no programa ‘Jogo Aberto’, emitido pela SIC Notícias, onde ‘levantou o véu’ a propósito da sucessão de episódios que levou a que Cristiano Ronaldo tomasse a decisão de renunciar à principal seleção de Portugal, mais de um mês depois de ter abandonado a concentração da mesma, em plena fase de grupos da Liga das Nações.

Conheço a personalidade de um e de outro, sei exatamente o que se passou naquilo em que estive diretamente envolvido. Depois, há coisas em que estive indiretamente envolvido e outras em que não estive envolvido de todo, mas basta aqueles em que estive direta e indiretamente envolvido para perceber que seria extremamente complicado que Cristiano visse, eventualmente…”, começou por afirmar.

“É muito importante as pessoas perceberem que, se calhar, a determinado momento, era possível. Nas primeiras 24 a 48 horas, se as coisas não tivessem sido tão empoladas, era possível ter-se esclarecido um conjunto de questões, mas, a partir de determinado momento, fruto de um conjunto de ações subsequentes, que só agravaram problemas anteriores, as coisas tomaram uma dimensão que só quem não conhece um bocadinho da personalidade de Cristiano…”, prosseguiu.

“Eu não sou das áreas matemáticas, sou das ciências sociais e humanas, e tinha um professor de História que dizia que, da análise do passado, compreendes o presente e antecipas um pouco o futuro, se não, a História não era uma ciência. Bastava olhar para o que aconteceu entre Cristiano Ronaldo e Fernando Santos, entre Cristiano Ronaldo e Jorge Mendes, pessoas que teriam dado muito mais a Cristiano do que Jorge Jesus, que apenas trabalhou com ele um ano e lhe deu o título de campeão da Arábia Saudita”, completou.

Para o jurista, quando o jogador de 41 anos de idade se depara com “uma determinada situação que encara que não deveria ter sido assim, mais do que a coerência, ele é extremamente obtuso nas suas decisões e convicções”.

Tudo começou a 29 de setembro

Luís Miguel Henriques revelou, de seguida, o momento em que, acredita, o ‘caldo entornou’ entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus: “Tenho para mim que foi o dia 29 de setembro, por um conjunto de questões que aconteceram. Tenho provas disso, tenho mensagens enviadas a quem de direito. Fruto do que estava a passar-se, disse que, a partir desse momento, era muito complicado, porque havia três cenários”.

“Disse, claramente, que Cristiano ia arranjar um incidente para sair do estágio, com ou sem autorização, e o terceiro cenário era este, de poder, a partir de determinado momento, perceber que o espaço que idealizou não era exatamente aquele que estava a encontrar, e que, a partir desse momento, seguiria outro caminho”, apontou.

“Disse isso a duas ou três pessoas que importam, por escrito. Para mim, não é surpresa nenhuma. Desde o dia 29 de setembro, esse cenário era um dos que, para mim, estava claramente traçados. O Jorge teve a esperança… Há que separar uma coisa, que é o homem do treinador. Eu trabalho com o Jorge há 30 anos, e, com todo o respeito, ele sabe que eu conheço-o como a palma da minha mão, no sentido em que são muitos anos e é uma pessoa muito fácil de ler”, acrescentou.

Nesse sentido, deu até um exemplo: “No dia em que foi para o Al Nassr, uma das pessoas mais responsáveis na CR7, SA – e até estávamos a brincar um bocadinho a sério – disse ‘Isto, das duas uma, ou vai correr muito bem, ou vai correr muito mal’. Não tem a ver com a seleção, tem a ver, um ano antes, com a ida para o Al Nassr. Se eles ganhassem, ia correr lindamente. Pela personalidade e pelo feitio que cada um tinha, tinha tudo para correr mal, porque são muito parecidos”.

“O Jorge Jesus homem está triste”

A terminar, o também comentador desportivo sublinhou que “há que separar o que é o Jorge Jesus homem daquilo que é o Jorge Jesus treinador”: “O Jorge Jesus homem está triste. Não é isto que ele queria, não era isto que se previa. Isto é o homem. Agora, há o treinador, e o treinador percebe claramente que, independentemente disso, há decisões que têm de ser tomadas, e essas decisões têm de ser tomadas em prol do coletivo”.

“Há decisões que têm de ser tomadas para aquilo para que foi contratado. É importante dizer isto. Quando ele veio para a seleção nacional, era a coisa que ele mais queria, e eu disse-lhe ‘Você tem ideia que vão pedir-lhe o impossível? Conhece algum treinador que tenha ganho a Liga das Nações, o Campeonato da Europa e ser o campeão do mundo, seguido? É o que lhe vão pedir, porque, se não ganhar a Liga das Nações, vão comparar com o que ganhou. Se não ganhar o Campeonato da Europa, em 2028, vão comparar com o que ganhou. Se não ganhar o Campeonato do Mundo, afinal, não fez diferente'”, concluiu.

Artigos Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo