
O primeiro-ministro da República da Irlanda, Micheál Martin, saiu, esta quarta-feira, em defesa do selecionador nacional, Heimir Hallgrímsson, a propósito do tão badalado encontro da segunda jornada da fase de grupos da Liga das Nações, perante Israel, que tem apito inicial agendado para as 19h45 (hora de Portugal Continental) do próximo domingo, no Nagyerdei Stadion, em Debrecen, na Hungria
Nós não estamos a jogar com o genocídio, nós estamos a jogar contra o genocídio. Nós estamos a jogar contra Israel, não estamos a jogar com Israel”, atirou, no início da semana, atirou o treinador islandês, ao ser confrontado, em conferência de imprensa, com os cada vez mais numerosos pedidos para que a formação britânica boicote esta partida, em protesto contra o conflito com a Palestina.
Uma tomada de posição que motivou uma pronta reação por parte da própria Federação Israelita de Futebol (IFA), que, em forma de comunicado emitido através das plataformas oficiais, recordou que o país “contribuiu para o mundo e para a humanidade em inúmeros campos, merecendo um impressionante número de Prémios Nobel pelo caminho”.
“Infelizmente, nós ainda não conseguimos encontrar uma cura para a estupidez, a ignorância e a hipocrisia demonstrada pelo selecionador nacional da República da Irlanda. Nós não estamos a jogar com a ignorância, a hipocrisia e a estupidez. Nós estamos a jogar contra o treinador que os personifica”, pode ler-se na ‘fulminante’ nota.
Ora, confrontado com estas palavras, à margem da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que decorre em Nova Iorque, nos Estados Unidos da América, Micheál Martin foi taxativo: “Eu penso que essas são observações inaceitáveis. Deveriam ser retiradas. Israel não pode continuar a negar aquilo que o mundo sabe e aquilo que o mundo percebe”.
Contestação sobe de tom, mas Irlanda vai mesmo a jogo
A polémica está lançada, mas não se fica por aqui, visto que, nos últimos dias, mais de 160 personalidades ligadas ao desporto irlandês assinaram uma carta aberta pedindo à seleção nacional que boicotasse este jogo. Em paralelo, houve lugar a uma manifestação que juntou centenas de pessoas, junto ao hotel no qual esta se encontra hospedada, em Dublin.
A expetativa é de que, ao longo dos próximos dias, venham a surgir mais atos de protesto quanto à realização deste encontro. Isto, depois de a própria Federação de Futebol da Irlanda (FAI) ter aprovado, em novembro de 2025, a apresentação de uma moção junto da UEFA, no sentido de afastar Israel de todas as competições que organiza.
Ainda assim, face aos sucessivos pedidos para que não compareça, nem a este duelo, nem ao da segunda volta (que irá realizar-se a 4 de outubro, domingo, no Aviva Stadium, em Dublin), o organismo disse estar de ‘mãos e pés atados’, visto que tal implicaria sanções no plano desportivo e financeiro.
Entretanto, Israel continua a negar, de forma perentória, que esteja a cometer qualquer tipo de ato de genocídio, em Gaza, sustentando que os ataques surgem como resposta ao atentado levado a cabo pelo Hamas, a 7 de outubro de 2023, que resultou em 1.221 mortes e 251 reféns (44 deles já confirmados como mortos).






