
Primeiros dias na Cidade do Futebol: “Conheci os cantos à casa, que ainda não conhecia. Percebi as dinâmicas, a estrutura desportiva. Olho para a seleção da mesma forma que olho para um clube. Não se ganham os jogos só dentro do campo, sem uma estrutura que se identifique com o processo não é possível ter sucesso. Tenho sentido o carinho das pessoas, tenho gostado muito. Desde que cheguei, estou aqui das 9h às 17h.”
Conversas com os jogadores: “Ainda não falei com os jogadores. Eles estão de férias e devem aproveitar. Quando fizer a primeira pré-convocatória quero ter falado com a grande maioria. Aos atletas que estiverem perto vou tentar fazer um contacto pessoal, num almoço ou num jantar. Tenho uma vantagem de metade já ter trabalhado comigo, há uma ligação.”
Pagar o preço: “Pagar o preço é deixarem de fazer aquilo que gostam. Há coisas que eles estão habituados a fazer mas que não são boas para a equipa. A forma de pensar dos jogadores é a mesma na seleção e no clube, há uns que ficam com mais ou menos azia. Em todas as equipas há jogadores que são mais importantes que outros.”
Ideias para a seleção: “A primeira qualidade de uma equipa é saber defender bem. A Espanha venceu a França porque soube defender melhor. É o primeiro princípio para sermos bem sucedidos e ganhar títulos. Para ganhar jogos não é preciso saber defender bem, mas títulos é. Cada treinador tem as suas ideias. O futebol para mim é criatividade, não é uma ciência exata. Os princípios de defender e atacar parecem fáceis, mas temos de ensiná-los aos jogadores.”
Meio-campo de Portugal: “Os jogadores é que me vão dizer (demonstrar) o que é que eu vou fazer. O meio-campo de Portugal tem potencial para ser o melhor, mas temos de transportar isso para a prática. No Mundial, o meio-campo da Espanha foi perfeito. Temo muita quantidade e qualidade para esses setores. Gosto de jogar com um médio mais posicional e um segundo com características mais ofensivas.”
Diferença de clube e seleção: “Um selecionador tem de saber selecionar os melhores. Vai dar ao mesmo do que nos clubes, mas nos clubes têm mais tempo pra trabalhar. Há treinadores que treinam, outros que ensinam. Hoje em dia, com a tecnologia, conseguimos treinar de outras formas.”
Jogar o dobro: “Temos de jogar mais, senão não vai ser melhor e vamos continuar a alimentar um sonho. A Liga das Nações não é muita valorizada, mas é das mais difíceis. Estão sempre lá as melhores seleções.”
Pressão de Pedro Proença: “Temos de pensar sempre em ganhar. A nossa seleção tem jogadores a jogar nas melhores equipas do mundo. Dá-nos a confiança para acreditar que temos as condições para ganhar todas as competições. O meu grande foco é o Mundial 2030, em Portugal. Nas equipas em que eu trabalho, jogo sempre para ganhar, não há outra saída.”
Novo formato da Liga das Nações: “O que é que me dá jeito? O facto de a calendarização este ano ser diferente. Vamos fazer quatro ou cinco jogos seguidos. E isso ajuda-me. Não é como normalmente acontecia, jogar um ou dois jogos, os jogadores voltavam aos campeonatos, e depois novamente às seleções. Agora há quatro ou cinco jogos consecutivos onde posso partilhar com eles. Agora dizem-me ‘mas os jogos são de três em três dias’. Está bem, mas há jogadores que jogam, outros que não jogam. Vamos ter vários treinos para trabalhar e crescer para o futuro.”
Quatro jogos seguidos nas próximas semanas: “Para mim é melhor. Vou estar mais tempo com os jogadores, mais 15 dias a trabalhar. Quando os jogadores vinham da seleções, vinham com outras ideias. Outra forma de treinar, outra ideia de jogo, outra comunicação… E agora direi ao contrário. Estou na seleção, quando eles vierem dos clubes e chegarem até mim, a ideia é a mesma mas não há repetição nem treino, é diferente. E o facto de termos estes 15 dias vai ser bom.”
Adversários da Liga das Nações: “A Noruega eliminou o Brasil no Mundial, a Dinamarca tem vários jogadores que jogam nas melhores equipas da Europa. A Noruega o mesmo… E se calhar o melhor ponta-de-lança do mundo neste momento (Haaland). São equipas que já conhecemos o valor que têm. A questão física? Também se coloca, mas para mim não é isso que me pode fazer pensar em relação à ideia de jogo da equipa. Claro que a condição física tem influência em determinados momentos do jogo, mas a condição técnica e o conhecimento tático do jogo podem dar-nos vantagem muitas vezes.”
Caráter da seleção: “O caráter da seleção é um caráter vencedor. Para sermos melhores que os outros não basta termos mais qualidade e o treinador ser melhor taticamente. A equipa tem de estar unida e não pode colocar o individual à frente do coletivo.”
Convocatórias: “Vamos olhar ao momento dos jogadores. Não vamos mudar muitos jogadores, não sou burro. Não há um leque tão grande de jogadores neste momento, ao longo dos próximos quatro anos vão aparecer. Vamos mudar dois ou três jogadores
Convocatórias: “Vamos olhar ao momento dos jogadores. Não vamos mudar muitos jogadores, não sou burro. Não há um leque tão grande de jogadores neste momento, ao longo dos próximos quatro anos vão aparecer. Vamos mudar dois ou três jogadores.”
Estatuto e egos no grupo: “Os jogadores têm de ter estatutos diferentes, mas tem de ter regras iguais. Só coloco jogadores a jogar se eles estiverem a 100 por cento.”
Treinador defensivo ou ofensivo?: “Quando falo em ser bom defensivamente, tem a ver com a ideia de jogo. Uma coisa é ser defensivo com muita gente, mas o difícil é saber defender com poucos. E a partir dessa ideia, tens a equipa muito mais preparada e posicionada para que seja, também, forte ofensivamente.”
Antigo jogador na equipa técnica: “Em todas as equipas onde trabalhei, mesmo no estrangeiro, quis sempre que um elemento da minha equipa técnica fosse um antigo jogador. Caso do Luisão no Benfica, no Al Hilal e no Fenerbahçe também. Na seleção a ideia é essa, encontrar alguém que tenha sido jogador da seleção, que possa fazer parte da minha equipa técnica. Não vou buscar um elemento destes para estar ao pé de mim e ir meter os pinos e marcar o campo.”
Inovações no futebol: “O futebol está sempre a evoluir. Quem pensa que o futebol estagnou, que não há nada para aprender, engana-se. No futebol não há direitos de autor. Se houvesse, era muito complicado para alguns treinadores. Não sei se no Europeu vai acontecer a mesma coisa, mas o facto de o Mundial ter dois time-outs. Nas outras modalidades coletivas também há time-outs. Entras com uma ideia e um sistema, e nesse espaço podes mudar se souberes trabalhar a equipa e os jogadores. Partir para outra ideia, estratégia. E isso vai permitir às equipas fazerem isso. E os treinadores que perceberem isso, vão ter vantagem.”
Nervosismo de treinar a seleção: “Fico nervoso com os jogos. Durante os jogos estou mais ou menos tenso, também conforme aquilo que vou vendo a equipa a jogar. E se vejo que não está a fazer o que treinamos, fico mais interventivo. No dia em que não ficar nervoso, há alguma coisa que está mal. Será sinal que a minha paixão e amor ao jogo não estão iguais e aí de certeza que já não serei treinador”.
Seleção da Arábia: “A partir do momento em que fui para a Arábia Saudita, preparei-me para ser selecionador. Quando fui para lá, ia para treinar a seleção, não ia treinar o Al Hilal. As coisas estavam quase definidas, mas mudaram. A partir desse dia comecei a preparar-me. Depois tive a hipótese de treinar a seleção do Brasil e comecei a pensar que tinha mesmo de treinar uma seleção. A seleção portuguesa foi a cereja em cima do bolo.”
Convite do Brasil: Digo que Portugal é o Brasil da Europa. Há muita qualidade individual, mas depois quando chegam os Mundiais não é tão fácil. O Brasil não é campeão há 24 anos. Têm sempre grandes jogadores., mas não conseguem fazer uma grande seleção. Posso confessar aqui… Acabei por não ir treinar a seleção do Brasil, mas já tinha indicações para fazer a pré-convocatória para o jogo que havia em março, depois de terem perdido 4-1 com a Argentina.”
Qualidade do jogador brasileiro: “O jogador brasileiro nasceu para jogar, no campeonato do Brasil há muita qualidade. Claro que num ou outro jogador trocava em relação aos que foram ao Mundial. Acho que, neste momento, o melhor ponta-de-lança do futebol brasileiro é o Pedro. Talvez seja um bocadinho tendencioso, por ter sido meu jogador no Flamengo. Mas acho que, na maioria, concordava com o que Ancelotti fez. Depois, na forma de olhar para o jogo e de treinar é que se faz a diferença.”






