
Aarbitragem de João Pinheiro no jogo entre Argentina e Suíça (3-1), nos quartos de final do Mundial2026, disputado na noite de sábado, está a ser alvo de várias críticas por conta da decisão de expulsar Breel Embolo após uma simulação.
O lance aconteceu aos 70 minutos, quando o árbitro português começou por mostrar um cartão amarelo a Paredes por falta sobre Embolo. No entanto, o VAR alertou Pinheiro para um “erro de identificação”, uma vez que o médio argentino não faz falta, tratando-se de uma simulação de Embolo.
“Após revisão, não há falta do número do 5 [da Argentina] e sim uma clara simulação do número 7 [da Suíça]. Decisão final: cartão amarelo”, explicou João Pinheiro, na comunicação feita no estádio, antes de mostrar a segunda cartolina amarela – tinha vista a primeira aos 44 minutos – e o consequente vermelho.
A decisão de João Pinheiro motivou, desde logo, grande revolta na seleção helvética e no final do encontro não faltaram críticas dos jogadores à arbitragem do português, em declarações reproduzidas pelo jornal helvético Blick Sport.
Habitualmente, não me queixo da arbitragem. Mas hoje, tudo jogou a favor deles. Nunca tinha disputado um jogo tão desequilibrado. Nenhuma das simulações deles foi sancionada. Não viram um único cartão amarelo durante os 90 minutos. Depois, no lance que envolveu o Breel, foi ele quem acabou por ver o amarelo.”
O sentimento é de desilusão e frustração. Jogámos com coração e alma. Até ao cartão vermelho, controlávamos o jogo. Continuo sem perceber como é que o VAR pode intervir numa situação destas e num jogo desta importância. Perder desta forma, depois de uma arbitragem tão desastrosa, custa muito.”
A expulsão do Breel Embolo é uma decisão que vejo pela primeira vez no futebol. É muito difícil de aceitar. Não há falta. Passar de um amarelo para eles para um amarelo para nós, sobretudo depois de todas as simulações que houve antes… Houve imensas simulações da parte deles. Esta noite, houve dois critérios de arbitragem: um para eles e outro para nós. É difícil de aceitar.”
“Não consigo compreender”
O tom crítico foi partilhado por toda a seleção da Suíça e o selecionador Murat Yakın classificou a decisão de Pinheiro como “inacreditável”.
“Fomos castigados por causa de um erro. Não havia qualquer motivo para aquele cartão. Não consigo compreender. Foi um lance inocente, sem qualquer intenção maldosa. Aquela decisão foi simplesmente inacreditável. Discordo completamente. Houve contacto evidente e não percebo como é que o árbitro e o VAR chegaram àquela conclusão”, apontou, pese embora sem querer afirmar que a Argentina foi beneficiada.
“Não diria que eles foram favorecidos. Tivemos um jogo equilibrado e aberto. As duas equipas jogaram futebol. O futebol é que não saiu vencedor hoje. Fomos castigados por um erro. Foi um momento decisivo que determinou o desfecho do jogo. Podemos queixar-nos agora, mas também tenho de dar os parabéns à Argentina”, rematou o selecionador suíço.
“Forte contra os fracos”
As críticas a João Pinheiro não ficaram por aqui e também na antena da RTS o trabalho do árbitro português foi contestado. David Lemos, jornalista e comentador, foi mais longe, dizendo que se fosse ao contrário, Pinheiro não teria expulsado um jogador da Argentina.
“Vou correr o risco de o dizer. Não acredito que a Argentina tivesse visto um segundo cartão amarelo que resultasse na expulsão de um dos seus jogadores. Claro que a decisão nos será explicada de forma muito clara. A seleção suíça é a vítima ideal”, sublinhou.
No mesmo painel estava ainda Alexandre Comisetti, antigo internacional suíço, que também não poupou João Pinheiro.
“O senhor Pinheiro não pode sentir-se orgulhoso da sua atuação. É mais fácil ser forte com os fracos do que fraco com os fortes. A Argentina foi beneficiada por em várias decisões”, destacou.
Refira-se que a Argentina deixou, assim, a Suíça pelo caminho e vai defrontar a Inglaterra nas meias-finais do Mundial2026.






