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“Espalha-brasas” já era. Roberto Martínez dá novo papel a Chico Conceição

Francisco Conceição

Roberto Martínez deposita grandes esperanças no papel que Francisco Conceição pode vir a assumir, na principal seleção  de Portugal, e já trabalha mesmo no sentido de vir a dar-lhe outro tipo de preponderância nos seus planos, possivelmente, ainda no decorrer do presente Campeonato do Mundo.

O coimbrense foi um dos jogadores em plano de maior destaque, nos dois últimos jogos de cariz particular realizados pela equipa das quinas em solo nacional, no início de junho, antes da partida para a América do Norte, assistindo Bruno Fernandes para o golo da vitória sobre o Chile, por 2-1, e marcando ele próprio o tento que selou o triunfo conquistado ante a Nigéria, pela mesma margem.

Já no Campeonato do Mundo, o avançado de 23 anos de idade foi remetido ao banco de suplentes, de onde saiu ao intervalo, sempre com apontamentos positivos. Contra a República Democrática do Congo, agitou por completo o jogo, e esteve mesmo na base de duas das maiores oportunidades desperdiçadas na busca de desfazer o empate a uma bola.

Diante do Uzbequistão, a história foi outra. Entrou para o lugar de Pedro Neto, quando a vantagem lusa era já de 3-0, sabe o Desporto ao Minuto, com instruções claras, não só para mexer com o ataque, mas, sobretudo, para ajudar a defesa. Isto, depois dos sobressaltos registados entre a primeira pausa para hidratação e o apito para o intervalo.

As instruções que lhe foram passadas pelo treinador espanhol foram claras, e passaram por participar na formação de uma linha de cinco na retaguarda, partindo, de seguida, para a frente a partir de uma posição mais próxima da de um lateral-direito, função que acabou por cumprir com competência.

Pese embora não seja propriamente conhecido pelas qualidades defensivas, Francisco Conceição ajudou Portugal a recuperar a consistência, saindo por cima em cinco dos sete duelos individuais em que se envolveu, efetuando dois desarmes e ainda recuperando a bola por quatro vezes, nunca tendo sido driblado pelos adversários.

Ofensivamente, colocou em prática as virtudes que lhe são reconhecidas, percorrendo cerca de cinco quilómetros no espaço de pouco mais de 45 minutos, com uma velocidade máxima de 32,5 km/h. Das 41 ações que teve com bola, quase todas foram bem sucedidos, com exceção de sete perdas de posso e um mau domínio.

“Espalha-brasas” quer deixar de o ser

Estávamos em maio de 2024 quando Roberto Martínez apanhou tudo e todos de surpresa, convocando Francisco Conceição (que, na altura, ainda jogava no FC Porto) para o Campeonato da Europa, em detrimento de jogadores como, por exemplo, Pedro Gonçalves ou Francisco Trincão (que davam e continuam a dar cartas, no Sporting).

Instado a explicar-se, o selecionador nacional ‘sacou’ de uma expressão que viria a tornar-se célebre: “Joga com o pé esquerdo, é vertical, tem uma boa personalidade para mudar o jogo. É um ‘espalha-brasas’ de um nível excecional. É um jogador diferente. Foi muito importante o facto de ter um estágio em março que foi impactante”.

No entanto, ainda na passada semana, numa conferência de imprensa realizada à margem dos trabalhos da equipa das quinas, o próprio ala da Juventus deixou bem claro que não quer ficar conhecido apenas por esta alcunha, atirando, diante dos jornalistas: “Eu quero ser conhecido por Francisco Conceição”.

“Se for por jogar dez ou 15 minutos… Eu jogo na Juventus, jogo na Serie A, tenho sido titular indiscutível na minha equipa. Depende. Estou aqui, quer jogue dez ou 90 minutos, sou mais um a querer ajudar”, acrescentou. Resta, agora, perceber se lhe será dada a oportunidade de ser algo mais, no próximo domingo, frente à Colômbia, no fecho da fase de grupos do Mundial

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