Noticia

Cristiano arrasa Jesus: “Ouvi expressões e agressividade que não merecia”

Ronaldo começou por referir que tinha preparado uma carta de despedida após o Mundial2026 e explicou que no voo de regresso dos Estados  Unidos o presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Pedro Proença, lhe pediu para continuar e solicitou a sua opinião sobre o nome de Jorge Jesus para substituir Roberto Martínez no cargo.

Respondi ao presidente da FPF que, em minha opinião, seria a escolha certa”, escreveu Ronaldo, numa carta a que a Lusa teve hoje acesso.

O avançado, que abandonou o estágio, por iniciativa própria, antes do duelo com a Dinamarca, da terceira jornada do Grupo A4 da Liga das Nações, refere que se encontrou com Jorge Jesus, que lhe disse que a sua “presença era fundamental para o seu projeto”.

O avançado referiu que o encontro decorreu na Cidade do Futebol, em Oeiras, na presença do diretor desportivo do Al Nassr, Simão Coutinho, com Ronaldo a lembrar que era a pessoa a quem Jesus “reportava na época passada” ao serviço da formação saudita e que foi uma dos responsáveis pela sua contratação em 2025.

“Disse-me que jogaria o primeiro jogo e o último e que por razões de gestão física iria fazer sempre três a quatro mudanças por jogo. Nessa altura, colocou-me a hipótese de eu não viajar com a Seleção para Noruega e Dinamarca (…). Recusei de imediato esta proposta. Parecia-me evidente que não a poderia aceitar. Não seria por não jogar os jogos no estrangeiro que deixaria de capitanear a nossa equipa. Esse privilégio de ficar em Portugal não seria um bom exemplo”, explicou.

Sem nunca utilizar o nome de Jesus, Ronaldo referiu que aconteceu novo encontro em Lisboa, na véspera do início do estágio, em que foi mantido o que estava acordado, até que foi informado da intenção do selecionador em o utilizar na partida com a Noruega, pela hora de almoço do dia da partida.

“Obviamente disse que sim. Respondeu-me que então estivesse preparado porque jogaria 30 minutos. O resto todos conhecem. Aqueci desde o intervalo, vi os minutos a passar e não fui chamado. O selecionador tinha-me falhado com a sua palavra. No fim do jogo só queria que tudo acabasse com a vitória e ficar sozinho. Não fui cumprimentar os adeptos. Uma falha que é apenas da minha responsabilidade e que não deveria ter acontecido”, recordou.

Passados dois dias, o avançado revelou nova conversa com Jesus, cujo nome nunca utilizou no esclarecimento hoje divulgado, e Simão Coutinho num “momento profundo, muito frontal, sem qualquer tipo de filtro”, sendo acordado, segundo Ronaldo: “O selecionador repetisse o que acabara de me dizer ali em privado, na presença do Simão Coutinho, mas na sala de imprensa”.

“Acabámos essa reunião com o selecionador a pedir-me um abraço, a prometer-me que ia dizer na conferência o que acabara de me dizer a mim e que o assunto se ultrapassava. Eu não jogaria na Dinamarca e jogaria o jogo do Dragão (…). A pedido do selecionador, decorreu depois uma reunião entre ele mesmo, o Simão Coutinho e o Tiago Craveiro em videoconferência, em que se resumiu aquilo que falámos”, explicou.

Acabámos essa reunião com o selecionador a pedir-me um abraço, a prometer-me que ia dizer na conferência o que acabara de me dizer a mim e que o assunto se ultrapassava. Eu não jogaria na Dinamarca e jogaria o jogo do Dragão (…). A pedido do selecionador, decorreu depois uma reunião entre ele mesmo, o Simão Coutinho e o Tiago Craveiro em videoconferência, em que se resumiu aquilo que falámos”, explicou.

Ronaldo afirmou que foi produzido um “pequeno documento” que o próprio validou, com oito pontos, sendo o mesmo entregue ao selecionador “tal como ele havia solicitado”.

“A conferência foi o que se conhece: a postura não teve nada a ver com a nossa reunião, ouvi expressões e uma agressividade que julgo não merecer, uma atitude de quero, posso e mando que nunca me manifestou, nem de perto nem de longe, em privado, na véspera”, lamentou, assegurando que nunca exigiu que o técnico lhe pedisse desculpa.

Os oito pontos do documento passavam por revelar que o plano de utilização foi proposto por Jesus e aceite por Ronaldo, reconhecer que o avançado não questionou as suas escolhas e que errou ao colocar o dianteiro a aquecer na Noruega para depois não o utilizar.

Outro dos tópicos passava por afirmar que pretendia Ronaldo na seleção e o último por explicar a reação do avançado sem cumprimentar os adeptos, frisando que foi “um momento de frustração que não apaga coisa nenhuma”.

O capitão da seleção portuguesa diz que foi a “segunda vez” que o selecionador lhe faltou à palavra e que, então, decidiu abandonar o estágio “sem esperar por mais nenhuma quebra de palavra”.

Cristiano Ronaldo, de 41 anos, é o recordista de jogos (com 234), e golos pela seleção portuguesa (146), tendo capitaneado a equipa das ‘quinas’ nos triunfos no Campeonato da Europa de 2016 e nas edições de 2019 e 2025 da Liga das Nações.

Artigos Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo