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Mundial 2026: o “xeque-mate” de Ronaldo e a nova ordem do futebol no ecrã

Cristiano Ronaldo

O Campeonato do Mundo de 2026, que será organizado pela primeira vez por três nações – EUA, México e Canadá -,  marca uma viragem histórica nas transmissões desportivas ao expandir-se para 48 seleções e um recorde de 104 jogos. Em Portugal, este evento será o cenário do golpe mais ambicioso de Cristiano Ronaldo fora dos relvados e à margem daquela que se anuncia a sua “última dança”.

Ao tornar-se acionista da LiveModeTV, o capitão da Seleção Nacional rompeu o tradicional cerco das operadoras de telecomunicações, garantindo a transmissão gratuita de 34 partidas no YouTube, incluindo todos os jogos de Portugal, as meias-finais e a grande final.

Este movimento representa um verdadeiro sismo para uma indústria que movimenta cerca de mil milhões de euros anualmente (0,26% do PIB nacional), expondo as fragilidades de um mercado onde as faturas elevadas da televisão paga – com mensalidades na Sport TV que chegam aos 34,99 euros – levaram 17% dos portugueses a admitir o consumo ilegal de conteúdos.

Enquanto a Sport TV mantém a exclusividade de 70 jogos e prepara uma cobertura monumental de mil horas de emissão, a tecnologia TV 3.0 (DTV+) promete elevar a experiência do espectador com imagem em 4K real e um sistema de áudio imersivo que permitirá, pela primeira vez, silenciar o narrador ou ajustar o som da bancada de forma independente.

Contudo, esta evolução tecnológica contrasta com o impasse vivido no sinal aberto: a RTP, SIC e TVI ainda não garantiram a transmissão da prova devido às exigências financeiras da FIFA, restando à Entidade Reguladora para a Comunicação Social o poder de intervir e obrigar à partilha do sinal para salvaguardar o interesse público.

Este Mundial funciona, assim, como o derradeiro teste antes do “big bang” previsto para 2028, data em que o Decreto-Lei n.° 22-B/2021 obrigará Portugal a adotar a centralização dos direitos televisivos via leilão, pondo fim ao atual modelo de contratos individuais que blinda 80% do mercado. Esta reforma legislativa visa, em última análise, quebrar as barreiras do atual modelo de exclusividades, forçando uma descida de preços e garantindo que o futebol deixe de ser um privilégio de quem pode pagar faturas elevadas para passar a ser um conteúdo de acesso mais justo e competitivo para todos os portugueses.

Até lá, entre a linguagem descontraída de figuras como Ricardo Quaresma no YouTube e a sofisticação dos canais premium, o adepto português terá de navegar numa nova ordem mediática onde o digital já não é apenas o futuro, mas o presente que dita as regras do jogo.

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