
Como tem vivido o Mundial? “Se não tivéssemos a ideia de que podemos chegar longe no Mundial, não estávamos aqui. Tem sido uma experiência bonita. Estamos a melhorar jogo a jogo. Sabemos que é uma competição onde é impossível jogar bem em todos os jogos e não está fácil para ninguém, é só ver quem já foi eliminadas. Isso diz tudo. Vejo a equipa tranquila, treinamos bem, preparámos bem. Amanhã vamos encarar uma equipa super difícil, mas vamos estar preparados.”
Como se sente deste poder ser o último Mundial e as substituições? “Tem sido assim desde que entrei na seleção com 18 anos. Sempre fui assim e não vai mudar. Estou sempre de corpo e alma para ajudar a seleção a alcançar os seus objetivos. Jogando ou não, terei sempre um papel importante na seleção. Terminarei, como disse há uns anos, quando eu quiser. Não quando vocês quiserem. Acho que é uma perda de tempo fazerem sempre a mesma pergunta. Não quero virar as atenções para isso, que é o menos importante, o mais importante é jogarmos bem amanhã e ter fé que vamos passar.”
Ambiente que tem encontrado na seleção e a pulseira para Diogo Jota: “É um grupo diferente de todos os que encontrei aqui. Com muita qualidade como todos os outros. Muito tranquilo, mais jovem. A idade se calhar é mais baixa. A pulseira, como já sabem e não é surpresa, colocámos desde o primeiro dia porque estão os nomes de todos os jogadores. E é uma forma de estarmos unidos pelo Diogo Joto. Por nós, por Portugal, por todos os portugueses que estão no mundo. Tem sido uma experiência espetacular. Dá para refletir que o futebol vai mais além do que o dentro de campo. É alegria das pessoas, união, pessoas a chorarem por verem jogadores… Isso é que fica guardado. De todos os Mundiais que joguei, será aquele que mais recordarei pela paixão das pessoas. Não sei a razão, mas tem sido, nesse aspeto emocional, o melhor. Tenho desfrutado bastante nesse aspeto.”
Pensamentos de criança vêm à memória ou há peso de responsabilidade? “O sentimento é quase sempre o mesmo, uma paixão grande por representar o teu país, por tentar ganhar. Cada vez que entro dentro de campo é sempre como se fosse o primeiro jogo. E é desfrutar ao máximo. Este Mundial tem ficado muito marcado pela paixão das pessoas, não só a nossa. Hoje de manhã vimos malta da Venezuela, da Colômbia, e eles contaram histórias. Vê-los com lágrimas nos olhos, emocionados a olhar para ti… Isso é o que fica da vida. O resto… Ok, estamos cá, mas só vai ganhar um. É vivenciar isto, é o que fica marcado. À parte das exibições e dos golos. ‘Ah, tem 41 anos, não devia jogar’. Isso é irrelevante. O que guardo e vou levar para casa é o afeto das pessoas com a seleção e comigo.”
Pensamentos de criança vêm à memória ou há peso de responsabilidade? “O sentimento é quase sempre o mesmo, uma paixão grande por representar o teu país, por tentar ganhar. Cada vez que entro dentro de campo é sempre como se fosse o primeiro jogo. E é desfrutar ao máximo. Este Mundial tem ficado muito marcado pela paixão das pessoas, não só a nossa. Hoje de manhã vimos malta da Venezuela, da Colômbia, e eles contaram histórias. Vê-los com lágrimas nos olhos, emocionados a olhar para ti… Isso é o que fica da vida. O resto… Ok, estamos cá, mas só vai ganhar um. É vivenciar isto, é o que fica marcado. À parte das exibições e dos golos. ‘Ah, tem 41 anos, não devia jogar’. Isso é irrelevante. O que guardo e vou levar para casa é o afeto das pessoas com a seleção e comigo.”
Como lida com o facto da sua titularidade estar sempre a ser questionada? “Há 23 anos que me tentam matar… Mas já perceberam que não vale a pena, é perda de tempo. Tentam, tentam, tentam. Mas não vale a pena. Estou acostumado. Há uns que gostam mais, outros menos. Estou habituado, faz parte. Também tenho as minhas preferências. Mensagem? Esses são fiéis, não falham. Estão sempre do nosso lado, do meu lado. Tudo o resto é lixo, não conta para nada.”
Chegou sem a pressão de conquistar o título ou veio para desfrutar? “Não me falta nada da vida. Deus foi muito generoso comigo e deu-me tudo o que nunca esperei ganhar. Principalmente na seleção e mesmo a nível pessoal. É desfrutar de cada momento. Não vou ser mais Cristiano por ganhar o Mundial nem menos por não ganhar. Claro que estamos aqui com esperança, e eu principalmente, mas sabemos que só um vai ganhar. É desfrutar, não pensar no amanhã, desfrutar o dia a dia. Foi algo que aprendi. Uma das coisas que a idade dá é maturidade, experiência, o relativizar e suavizar muitas coisas. Obviamente que não sou cego, tenho visto os ataques que fazem constantemente à minha pessoa. Mas isso não é novo. Até agradeço muitas vezes, é viver um capítulo diferente na minha vida. Aprendi isso depois dos 40. Espero viver mais 40 anos e estar preparado. De onde vêm as grandes críticas, é de onde crescemos mais. E agradeço-vos, porque cresço e apareço cada vez mais. Feliz, desfrutar o dia-a-dia. Um jogo com uma magnitude enorme amanhã, contra uma equipa excelente que já ganhou a competição. É desfrutar o dia-a-dia.”
Qual a coisa mais difícil de se jogar um Mundial aos 41 anos? “É falar convosco [jornalistas], com alguns… Os que não gostam, principalmente. E tu és um deles, que eu sei. Fixo bem a cara das pessoas. Basta ver uma vez e não esqueço. Jogar com 41 anos tem sido uma boa experiência. Para chegar a este nível tens de abdicar de muitas coisas. E tudo o que tenho feito na minha carreira tem sido adaptar-me. Não sou o jogador que era, mas nada mudou. Continuo a fazer golos e espero fazer amanhã. Se não fizer, que outro companheiro faça e que possamos passar. É o que fica na memória. Poder passar, jogar com uma grande equipa, e era bonito vencer a Espanha amanhã.”
O Cristiano nunca sentiu medo durante a carreira. Amanhã será diferente? “Estão com muita vontade que eu não regresse, que não me vejam mais aqui… Chegará o dia, sim. Vou ser sincero. Independentemente do que acontecer amanhã, sairá daqui o Cristiano com a consciência tranquila. Não a 100%, a 1000%. Dei tudo no futebol e na minha vida. Paixão, querer. Não foi por necessidade que joguei todos estes anos. Graças a Deus estou muito bem da vida. Mas é a paixão. Jogo na seleção e nos clubes porque fico encantado por jogar futebol. Aconteça o que acontecer amanhã, estarei feliz. Não posso colocar pressão em mim mesmo, de ‘tens de ganhar’, de ter essa obrigação. É o que Deus quiser. Desfrutar a cada dia, a cada jogo. Desfrutar do Mundial. E acredito que, apesar de algumas opiniões diferentes das vossas, não estou assim tão mal. Fiz 3 golos. Há outros que fizeram mais porque estão muito bem. Mas eu não estou mal, acredito… A ver se amanhã marco.”
Espanha não sofreu golos e a análise ao adversário: “Vocês sabem que tenho um carinho muito especial por Espanha. Tenho casas, negócios, os meus melhores amigos são espanhóis. A minha família é praticamente espanhola. A Espanha é sempre candidata a ganhar tudo. A Espanha, teoricamente, é favorita porque já ganhou e tem mais títulos do que Portugal. É uma competição diferente. Há cansaço, lesões, os jogadores são diferentes, o ambiente, o calor… Que amanhã até vai estar bom, teremos ar condicionado. É uma boa partida para jogarmos. Encanta-me jogar frente à seleção espanhola. Joguei várias vezes e foi muito equilibrado. E amanhã será igual. Quem acertar nos detalhes, ganhará. Espero que seja Portugal. Eu tenho esse feeling. Mas amanhã veremos…”
Geração de Luís Figo e possível jogo com França nas meias-finais: “Não falo de antigas gerações. Foi incrível jogar com todos, mas agora é uma era diferente. É um desafio, é algo diferente. Não quero falar de meias-finais porque amanhã temos um jogo muito importante com a Espanha. Terei tempo de falar se avançarmos, mas amanhã é muito difícil. Espero que consigamos ter uma tarde incrível.”
Como tem lidado com as críticas ao longo dos anos? “Quanto mais preparado estiveres, melhor vais sobreviver a uma carreira longa no futebol. Se for essa a intenção. A crítica… Se ligas à crítica, estás perdido. É normal. É o vosso trabalho. Eu entendo perfeitamente. Há críticas construtivas e outras para tentar ‘matar’. Faz parte. Afinal de contas, entendo o vosso lado. É parte da maneira como a imprensa vende as notícias. Se queremos ter uma carreira longa, temos de nos habituar. Mas há que focar em quem gosta de nós, na paixão das pessoas e do estádio. Aprendi com o tempo que devemos estar ao lado de quem gosta de nós e de quem sente paixão por nós. E nós temos de ter paixão pelo que fazemos. Acordar, ir treinar, jogar… Claro que há momentos difíceis, mas isso faz parte. É normal. E no futebol, como há sempre a crítica, é mais difícil por vezes. Mas faz parte do nosso trabalho.”
Último Mundial e o que fica? “O último Mundial (risos)… Uma pergunta interessante, gostei. O que fica são as pessoas. As pessoas que gostam de nós, as pessoas a quem podemos dar momentos diferentes. E vejo as pessoas que trabalham à nossa volta. São memórias espetaculares. Durante o voo, eu sabia que uma das assistentes de bordo era argentina. Só pela maneira como olhou para mim. Eu disse-lhe ‘sei que és argentina’. ‘Como sabes’, perguntou ela. ‘Olhaste para mim e desviaste os olhos rápidos, vocês não gostam de mim…’. Mas a minha mulher é argentina. Tenho um carinho especial pelos argentinos. Está tudo bem. É desfrutar ao máximo. Vai ser o último Mundial, sim. É desfrutar. Oxalá que amanhã não seja o meu último jogo, para que vocês me possam ‘matar’ um pouco mais.”
Disse que tinha o feeling de um penálti com a Croácia. E amanhã? “Só sinto amanhã, é só no dia do jogo. Chega lá de cima… E aí é que dá aquela tremedeira, aquela ‘suada’. Ainda não senti, só amanhã. Estou a falar a sério. Normalmente só tenho esse pressentimento no dia do jogo. Se nos cruzarmos, eu digo.”






