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Roberto Martínez despede-se de Portugal: “Foi o meu último jogo”

Roberto Martinez

Reação à derrota: “Em primeiro lugar, terminamos com tristeza. Não é o resultado que queríamos. O adversário é um dos favoritos,  mas isso não parou o que queríamos fazer. Tivemos coragem defensivamente, agressividade, defendemos muito bem. Mas o que acontece nos ‘oitavos’ de um Mundial são detalhes importantes. A bola bater na barra e entrar ou não entrar, uma oportunidade ao minuto 90 que foi um livre rápido. Detalhes que fazem a diferença. Mas é um orgulho incrível. A equipa esteve muito bem organizada. Com bola tivemos bons momentos, na 2.ª parte podíamos ter tido mais chegada. Mas sinto um orgulho incrível porque mostra todo o trabalho feito pelos jogadores. Acho que tivemos um bocadinho de azar, a sorte não esteve do nosso lado.”

Martínez despede-se da seleção nacional: “É certo que é o meu último jogo na Seleção de Portugal… Mas tenho duas notas: primeiro agradecer ao povo português porque foi um período incrível, um orgulho que não posso descrever. A força, a energia dos adeptos, de todo o povo. Agradecer por isso. Levo comigo uma memória para toda a vida. Depois, agradecer o trabalho dos jogadores porque foi incrível. Muito talento. Mas foi o compromisso para sermos uma equipa. É muito fácil ter bons jogadores na Seleção porque são os melhores, mas o importante é formar uma equipa. São 45 jogos, os melhores números da história de Portugal. E esse é o compromisso dos jogadores. Memórias de ganhar a Liga das Nações, de bater recordes… Agradecer muito à Federação por todas as condições, à equipa técnica, que desde o primeiro dia mostrou um nível de profissionalismo incrível. Foi trabalhar muito para ajudar os nossos jogadores. Levo comigo memórias incríveis e o meu agradecimento ao povo português.”

Resposta à forma como será recordado: “É bom que fale hoje porque no dia da Croácia não falou… Primeiro, dizer que não falhámos. Perdemos contra um favorito. Jogámos olhos nos olhos, fomos nós mesmos, mostrámos um talento individual incrível. Ganhar ou perder… Ganhámos a Liga das Nações, mas os penáltis são detalhes. Levo comigo o nível de consistência, o número de golos, de pontos… Isso é muito difícil ao nível de seleções. Os conceitos táticos, o número de jogadores que representou a Seleção… E depois, falhar e não tentar ganhar? Tentámos até ao último minuto, dar tudo o que temos. Os jogadores foram incríveis, exemplares. E é isso que te faz ser ganhador no futebol e na vida. Levo um legado incrível e espero que os adeptos portugueses possam relembrar que a equipa técnica e eu tentámos dar tudo, a vida, durante estes anos.”

Decisão foi tomada por Martínez: “Não conversámos, mas é o fim de ciclo. É legítimo que o senhor Pedro Proença possa escolher o seu selecionador. Agradecer ao presidente e à Federação todo o apoio e tudo o que fizeram para nos darem todas as condições. É o fim de um ciclo. Agradecer o apoio. Levo comigo as memórias e espero que o povo português possa ter memórias dos três anos e meio.”

Razão da despedida de Portugal: “Não, acho que [decisão] não estava fechada. Cheguei a Portugal para ganhar o Mundial e acho que, sem ganhar, não faz sentido continuar. A direção e o presidente têm agora a possibilidade de escolher o novo selecionador. O presidente sempre apoiou o meu trabalho, mas o meu contrato termina hoje. Não há muito mais a dizer.”

Não se foi longe no Mundial…: “Não é só Portugal… Há poucas seleções que, de forma consistente, chegam às fases finais de um Mundial. Estamos a falar dos melhores jogadores do mundo, das melhores seleções. Essa consistência é difícil. Mas também é difícil ter a consistência de qualificar em todos os torneios. E é isso que Portugal está a fazer. A forma como joga, como cria jogadores. A formação de Portugal é um exemplo para todo o mundo, um país de 10 milhões de habitantes… Mas depois há detalhes. A bola ir à barra, entrar ou não entrar, um livre rápido, um substituto que entra e marca… E essa é a diferença. Portugal é uma seleção de nível máximo pela consistência que tem desde 2002 e pelo que faz a nível do futebol.”

Último jogo de Cristiano em Mundiais: “Palavras de agradecimento porque foi um capitão exemplar. Chego a Portugal num momento de muita confusão, de muitas dúvidas com a posição do Cristiano. E para mim foi um exemplo. Não só a nível de golos, e a estatística diz tudo, mas de assistências. É o compromisso no dia-a-dia, a forma como vive o futebol. É um exemplo e algo que temos de celebrar. Estamos a falar de um ícone do futebol, não há muitos Cristianos. Agradecer-lhe para sempre o que tentou fazer neste Mundial. O sonho era ganhar e tentou, deu um exemplo incrível a nível futebolístico e humano no balneário. E toda a equipa leva para sempre. Um exemplo no futebol, um exemplo de desportista e de ser humano.”

Balanço da passagem: “Sim, é o meu último jogo na Seleção. É um orgulho. Acho que vocês conseguem olhar para o aspeto mais objetivo: os 45 jogos que fizemos juntos. Mas sinto-me recebido como mais um português, de uma forma muito querida. Foi um prazer, um orgulho e uma responsabilidade. É difícil encontrar o fim deste ciclo, mas no contexto faz todo o sentido.”

Lesão de Nuno Mendes: “Acredito que o travámos muito bem. Com o Nuno Mendes e depois com o Nélson Semedo, as ajudas do João Neves e de toda a equipa… O Lamine tem uma enorme dimensão no um para um, abre espaços. E acredito que defendemos muito bem. A saída do Nuno Mendes tirou-nos poder de ataque. Abria muito espaço. É um jogador único. Sem dúvida alguma, o melhor lateral-esquerdo do mundo neste momento. Não se substitui um jogador assim. Mas não tem a ver com o que nos faltou depois de ele ter saído. Foi uma pena não chegarmos ao prolongamento, acho que estávamos mais preparados para isso do que a Espanha. Mas, no geral, a saída do Nuno Mendes tirou-nos um pouco o que podíamos fazer no último terço ofensivo, mais do que o que fizemos frente ao Lamine.”

A justificação da não entrada de Gonçalo Ramos: “É uma forma fácil de analisar as coisas. Fisicamente, o Cristiano estava totalmente apto a jogar 90 minutos. Abre espaços, adapta-se às situações. É muito importante ter alguém assim dentro da grande área. Talvez no prolongamento seria bom ter o Gonçalo Ramos, mas a estratégia não era essa hoje. Hoje precisávamos de ter a possibilidade de travar os jogadores ofensivos da Espanha e não fazia sentido tirarmos os nossos avançados. O Rafael Leão foi o melhor jogador contra a Croácia, a última vez que jogou 90 minutos foi há algum tempo, e precisava de ser protegido. Não tem a ver com a crítica. Não estou nada desapontado com o desempenho. Queríamos ter chegado até à final e estou extremamente orgulhoso. Jogámos contra um dos favoritos e criámos desconforto em alguns momentos, mas quando não marcamos corremos este risco. Já jogámos contra a França, Espanha, Alemanha, ganhámos a Liga das Nações. Vejo o percurso com orgulho. O resultado hoje não foi o que esperávamos, mas isso acontece em torneios como este.”

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